terça-feira, 5 de maio de 2015

O “Arco da História”: uma síntese sociológica da transição planetária milenar



O mundo se encontra hoje numa importante transição de ciclos, daí a necessidade de conhecer mais a fundo a natureza da situação a fim de dar cabo às suas complexas demandas. Basicamente, aquilo que existe é uma grande renovação sociocultural ou civilizatória, verificada sob diversos níveis e com diferentes paradigmas.
Conhecemos ideias sobre o “eterno retorno”, presente em várias filosofias e religiões, assim como na vida e daí na própria Ciência; embora nada disto seja tão literal como às vezes se quer pensar. Se assemelha mais ao “retorno” natural de membros de uma espécie do que à reencarnação sobrenatural do mesmo indivíduo.


Mandala do mundo, Hildegard von Bingen
Pois as sociedades e as civilizações também têm os seus ciclos e sucessões, em boa parte evidentes e incontestes, ainda que nem sempre se cumpram a contento, da mesma forma como os impulsos de vidas podem fracassar a depender das condições gerais existentes.
No plano das sutilezas, a Ciência ainda malogra lamentavelmente em avaliar estas questões. E não poderia ser diferente, quando por temores e preconceitos limita as suas investigações. A Religião, da sua parte, hesita em acatar certas premissas estruturalistas.
Não obstante, ambas possuem parte de razão nas suas ponderações. No final desta matéria, apresentamos uma digressão sobre as relações entre a estruturas cósmicas e o livre-arbítrio humano. Inicialmente, trazemos uma introdução sobre o caráter entitário da História e da própria sociedade humana.

Uma Entidade chamada “História”



Frontispício de “O Leviatã”, T. Hobbes, 1651
Da mesma forma que ao falar de uma pessoa estamos tratando da sua história, ao falar da História humana nós estamos tratando da sociedade em geral. Ademais, a História coletiva representa um êmulo da história individual ou vice-versa.
Existe uma clássica questão sobre ser o homem fruto ou semente da sociedade –ou mesmo, “o que é mais verdadeiro: o indivíduo ou a sociedade?”-, polêmica naturalmente fadada ao fracasso por ambas as coisas serem verdadeiras, mesmo que por qualquer razão queiramos fazer opções.
Hoje temos sistemas de educação como o socioconstrutivismo de Lev Vigotsky, que dão muito valor ao papel da sociedade na formação e na educação da criança, da mesma forma como sempre houve sistemas filosóficos e religiosos que apregoam a importância do trato social na realização plena do ser humano.


Estátua da Idades do Mundo
ou  das Civilizações, do
sonho de Nabucodonosor
A realidade da estrutura social tem sido atestada por muitas tradições e filosofias. Basicamente é uma projeção da própria natureza humana, dotada de corpo, sentimento, inteligência e espírito. E daí a habitual classificação: proletariado, burguesia, aristocracia e clero.
Assim, as estruturas sociais refletem naturalmente as estruturas individuais –e a recíproca também termina por ser verdadeira, na medida em que estruturas individuais apenas alcançam se realizar mais plenamente, sob um aprendizado orientado pelas categorias sociais especializadas.
Se existe a sociedade, esta pode ser considera como um Ente, tal como tem sido representado várias vezes já nos mitos, filosofias e religiões. Por ser uma Entidade, a Sociedade deve ter uma estrutura e uma disposição espaço-temporal, ou uma duração e uma situação definida. 

A estrutura básica são as próprias classes sociais, e consta que estas estariam regidas por ciclos –na verdade, ciclos de diversas dimensões e grandezas. Pois existem diversas escalas sociais, como família e clã, assim como a comunidade e a cidade, entre outras que se possa reconhecer, inclusive a civilização e a própria espécie humana.
Cabe porém tratar aqui de um padrão social mais “corriqueiro” e razoavelmente conhecido, de caráter plenamente histórico. Falamos dos ciclos de transformações sociais, observados nos últimos séculos ou mesmo no decurso do último milênio.

Várias fontes afirmam que existem importantes ciclos sociais ou “ideológicos” de 200 anos (½ baktun). O conjunto das quatro classes sociais integraria em tese 800 anos (“duplo-baktun”), mas na prática o quadro envolve mil anos, dada a Lei dos fractais-de-transição que demanda 10% do tempo para resumir os ciclos completos no começo e no final dos ciclos, integrando assim uma “Idade Metálica” do mundo. Na doutrina hindu do Manvantara, estes subperíodos são denominados sandya e sandyana, respectivamente, e podemos relacioná-los a formas de anarquia “branca” (espiritual ou holística) e negra (material ou fragmentária).
Uma Era solar completa abrange cinco mil anos, cujos milênios são as “Idades Metálicas” (Ouro, Prata, Bronze e Ferro), e mais a “Idade do Diamante” da transição, todos rigorosamente milenares, ainda que exista uma divisão do tempo paralela (observada pelos Brahma Kumaris da Índia), que atribui 1250 anos às “Idades Metálicas” e apenas 200 anos para a “Idade do Diamante”. Ambas necessitam ser levadas em conta, ainda que se possa optar entre elas, e aparentemente alguma convenha melhor a um ou a outro Hemisfério.*




A chamada “crise do milênio” representa um surto criador, produz sínteses e novos movimentos culturais. Em parte, são produzidas pelas profecias, e em parte são naturais sob as crises socioculturais existentes.
Não é difícil observar a eloquência destes fatos, e em vários continentes. Temos sido levados a conhecer também a presença deste ciclo nas Américas, mais especialmente, no Brasil.
Como assinalar porém com razoável exatidão os ciclos sociais? Neste caso, as próprias revoluções sociais podem ser tomadas como marcos aproximados destes ciclos. Para facilitar ainda mais o tema, existem datas conhecidas para definir os ciclos mundiais ou hemisféricos (“continentais”).

Construção & Desconstrução social



Fato notório nas Filosofias do Tempo tradicionais, é que os ciclos costumam ser desconstrutivos e materializantes. Mesmo a insigne ocultista Helena P. Blavatsky declarou que as civilizações começam elevadas e depois decaem, o que sempre coloca mistérios sobre as suas origens. A própria Ciência identifica através da História e da Sociologia as transformações da cultura, interpretadas todavia inversamente como uma “evolução cultural”, que vai desde a Mitologia e a Epopéia em direção à Filosofia e à Ciência. Ambas as correntes concordam porém que a cultura se torna cada vez mais materialista.
Mas nisto tudo, parece que a História coletiva tampouco destoa do próprio indivíduo. Temos o nosso auge pessoal de vigor aos 25 anos de idade, mas podemos -em tese- viver até uns 130 anos. Com a História social se passa algo muito semelhante.



Nesta comparação, temos não obstante a oportunidade de observar aquela fase básica formacional, que é como a “construção” original que antecede as "desconstruções". Esta chamada “desconstrução” representa não obstante o próprio “uso da vida”, bem ou mal empregada.
A construção social não costuma ser avaliada nas Filosofias do Tempo por constituir quase “detalhes” dentro de um quadro mais amplo. A educação infantil tampouco merecia até faz pouco maior atenção, e este é um mérito que a modernidade estaria resgatando.


Contudo, várias doutrinas dos ciclos assinalam a realidade dos “momentos de transição”, e são estes justamente que integram aquelas importantes fases de reconstrução ou de renovação das coisas. Fases importantes e dramáticas, a bem da verdade, envolvendo atividades concentradas que num plano social podem representar crises disseminadas, a começar pelas guerras mundiais. Toda a construção é como um parto, e a globalização leva naturalmente a partos planetários.
Este quadro faz a Ciência acelerar e a cultura mundial a interagir, movendo a História para uma transição. Algumas forças sociais investem mais na desconstrução e outras na reconstrução, havendo também naturalmente muitas combinações nisto tudo.

Marcos na transição dos mundos: a “integração global”

Um dos fatos mais importante, marcante e decisivo nisto, seria a definitiva quebra do isolamento dos Hemisférios, ou seja, o começo da chamada “integração planetária”. A data em que isto acontece representa um dos marcos nestas transições, uma vez que pode determinar o recomeço de algo, no qual as próprias forças de desconstrução investem pesadamente, e em boa parte também em nome da reconstrução -ainda que esta quase se limite aos próprios novos territórios em organização...
A renovação inicia já no Velho Mundo, porém os desafios impostos pelos atavismos demanda a lógica de buscar novos territórios pata implantar a nova cultura. Quase intuitivamente, as nações que sentem-se especialmente oprimidas, se lançam na aventura de investigar novos horizontes.

Na Europa Medieval, as rotas tradicionais de navegação haviam sido bloqueadas pelos muçulmanos, coisa que levou a crises e conflitos dentro do Continente. Considerava-se que os poderosos Templários haviam enriquecido com as Cruzadas, e agora a Igreja e sobretudo o Estado endividados, queriam desconstituir a Ordem para lançar mão das suas riquezas. A Igreja contudo jamais acedeu facilmente a esta demanda, de modo que os países mais distantes da França -mais exatamente aqueles da Península Ibérica-, acolheram os Templários (cujos esforços haviam sido importantes na libertação da Península aos mouros) sob uma nova denominação –os “Cavaleiros de Cristo”. E foram estes que deram um novo impulso nas pesquisas sobre novas tecnologias náuticas e na busca de novas rotas de navegação.

Ademais disto, esta parte da Europa destinada pelo espaço-tempo a “olhar para fora”, também acolheu as novas manifestações de religiosidade aristocrática na forma do espiritualismo franciscano e joaquinita, tidos mais ou menos como heresias pela Igreja central, originando porém formas populares de culto como o do Império do Divino, assim como o próprio Sebastianismo português, legados depois às Américas pelos povos ibéricos que a colonizaram.
Em muitas ocasiões, estas autênticas tendências de renovação iriam debater-se no Novo Mundo contra as forças coloniais meramente exploratórias. Ainda que para muitos também tenham atuado excessivamente contra a cultura nativa, cooptando-as para as suas próprias pretensões milenaristas.

Uma análise do Milênio nos hemisférios


O Milenarismo se refere, em última análise, ao processo completo de (re)construção social e civilizatória, dotando as novas sociedades de seu completo cabedal sociocutural autócne –isto é: a reconstrução civilizatória. A Cristandade tardou mil anos para se constituir, até alcançar o seu auge na Baixa Idade Média.
Uma sociedade que não alcance mil anos de História não chega a se formar e pode ser considerada abortada, razão pela qual as Américas se acham ainda apenas na metade da sua gestação (de fora menos dramática, podemos falar também da metade da sua infância).
As culturas antigas locais dão a sua contribuição tanto quanto dão as culturas colonizadoras, podendo ser consideradas ambas como mãe e pai da nova sociedade, porém a nova sociedade representa uma síntese disto tudo e ainda mais. A renovação completa e o grau de autonomia cultural necessária apenas podem ser conquistadas ao cabo de mil anos de evolução sociocultural. E esta autonomia é importante para retirar a força da cultura velha, cuja força globalista é perigosa por ser antiga e reducionista, para não dizer degenerada. 
Contudo, os milênios também traduzem os ciclos de desconstrução civilizatória, caminhando às vezes em par com o anterior e, naturalmente, nisto demandando os seus conflitos. Apresentamos abaixo um primeiro diagrama simplificado e sem cronologias deste quadro, onde se vê a evolução “milenarista” dos hemisférios, de uma forma literalmente sequencial ou sem solução-de-continuidade.



Assim, observamos as camadas socioculturais existentes e a ordem dos cursos de evolução referentes a ambos os hemisférios, um destinado à conclusão e outro apenas à formação, em relação a ciclos ainda maiores que naturalmente integram –a chamada “Era Solar” de 5 mil anos, como já vimos, e que teve seus marcos anteriores situados em torno de 3100 a.C., segundo o Hinduísmo e as culturas meso-americanas. 
O “gráfico” dado permite avaliar então com razoável precisão a natureza geral deste movimento pendular da História. Um movimento considerado realmente cíclico, dando origem à tradição esotérica das raças-raízes que convive com as avaliações da Antropologia científica, embora enfatizando os traços culturais mais profundos das sociedades e das civilizações.
Ainda nesta correlação hemisférica, paira o grande mistério do surgimento da Civilização nas Américas ocorrida na costa do Peru (Caral, etc.), que sabemos ter sido coetânea e tão remota quanto a do Egito (Gizeh, etc.). Trata-se a rigor do mesmo mistério do nascimento da Civilização em geral, o qual certamente não foi abrupto, havendo ademais a insistente presença de gênios criadores em todas as distintas civilizações que surgiram desde então (e também nas suas principais etapas de transição). Neste sentido, não havia evidências de maior expressão cultural num ou noutro hemisfério, embora no geral a Eurafrásia terminasse por se desenvolver mais, até em função da diversidade humana e das extensões territoriais acessíveis.

Acaso poderíamos ousar falar também aqui em termos de colonização hemisférica? Temos identificado as Américas com a Atlântida de Platão, havendo citações na literatura esotérica sobre antigas migrações da Ilha da Páscoa para a Ásia (ver em Serge Raynaud de la Ferrière), e as Expedições Kon Tiki parecem ter provado esta possibilidade. Contudo, aquilo que a Ciência sabe, é que desde 15 mil anos atrás começaram as migrações para as próprias Américas, e talvez não apenas “asiáticas”, mas desde várias latitudes do globo.
Talvez se pudesse dizer no geral que o Ocidente seja “feminino” ou receptivo, mais destinado a acatar contingentes humanos. Mas hoje, passados quinhentos anos da Conquista, se volta a observar um equilíbrio-de-forças entre os Hemisférios, de modo que o final do grande ciclo oriental acolhe o começo do grande ciclo ocidental sem solução-de-continuidade. A preparação da Idade do Diamante da transição se terá cumprido...
Pois na verdade, o diagrama dado acima representa apenas 
uma simplificação dos fatos, a Ciência dos Ciclos (a par com a História) pode possuir mais complexidades do que possa aparentar. Normalmente se mostra apenas os ciclos principais, sem entrar em maiores detalhes, porém as grandes etapas de transição também são importantes de assinalar. Estas incluem o “istmo” de 500 anos característico da transição hemisférica, cultural, “civilizatória” e antropológica das chamadas “raças-raízes”, abaixo representado.











Este aparente “desnível” cronológico de 500 anos, integra na verdade um ciclo “oculto” de transição chamado de “Idade do Diamante”, ocupando mil anos igualmente, achando-se “embutido” nos ciclos sociais elementares, e integrando ademais uma divisão paralela do tempo, onde a Idade Adamantina da transição se distribui entre os dois ciclos hemisféricos-civilizatórios (500 anos em cada qual), um que termina e outro que começa.** Assim, a Idade do Diamante deve ser vista como fractais de transição, ou seja, como sandya e sandyana das Eras solares. O símbolo nahua do ollin (“movimento”), ao lado, expressa esta penetração nos tempos através das garras da águia solar (na "Pedra do Sol" asteca), símbolo da ação da quintessência transformadora. 

Num certo sentido, a Idade do Diamante interessa realmente ao Novo Mundo e a ele pertence, contando para isto com os esforços oriundos das forças de renovação do Velho Mundo. Na Teosofia temos as chamadas “sub-raças sintetizadoras”, com destaque para a sétima delas, destinada também a semear os tempos-espaços novos. Numa divisão de 7x720 anos da Era solar, a sétima sub-raça incidiu na época de São Francisco e Joaquim di Fiori (que é também a mesma das Cruzadas), representando forças proféticas de renovação que impulsionariam a globalização e em especial a preparação do Novo Mundo, e ainda seguem fazendo: a chegada do papa Francisco na sequencia do 2012, seria um novo sinal do avanço na transição das coisas, indicando que a etapa espiritual do Novo Mundo realmente começa a deslanchar.
De fato, tratamos aqui o tema dos Hemisférios basicamente em termos culturais Ocidente-Oriente, porém também existe a importante questão econômica Norte-Sul, como um duelo paralelo entre Davi de Golias. É aqui que o tema da cultura deverá realmente prevalecer, completando o fator econômico setentrional. O Meridionalismo global é um tema que toca assim ao Brasil em especial desenvolver e afirmar, ainda que existam importantes contribuições práticas ou filosóficas de outras nações sulistas.
E agora faremos os ajustes necessários para demonstrar uma sequência cronológica mundial, o que nos obriga porém a inverter a ordem da evolução social. Acrescentamos pois no gráfico seguinte, detalhes dos ciclos sociais em ambos os hemisférios.



Temos daí os períodos culturais e as situações econômicas de ambos os hemisférios mais ou menos delineados. Observa-se que ocorre apenas um século de razoável “concordância” cultural entre ambos –o Século XVIII-, e é nesta estreita faixa-de-tempo que acontecem as revoluções burguesas de independência das nações colonizadas pelas coroas europeias mercantilistas, emancipadas sob o patrocínio das novas repúblicas europeias emergentes a partir da Revolução Francesa, abrindo assim o período do neocolonialismo capitalista, que iria não obstante se debater com o Nacionalismo social autócne das nações emergentes do Novo Mundo, e mais tarde também com a influência do marxismo a um nível estritamente sócio-econômico.

Uma pergunta natural aqui é: “-Um grande ciclo oriental está assim acabando, mas e depois, como fica a Eurásia?” As suas grandes dinâmicas sociais terminam, e ela pode começar a buscar formas algo anarco-materialistas de organização, podendo resultar em anti-utopias como a do “Admirável Mundo Novo” –mas que para muita gente será certamente um “paraíso”. Porém já não haverá ali uma luz superior, que foi legada para as Américas. É como se uma árvore tivesse soltado uma semente antes de secar, ou alguém tivesse tido um filho antes de morrer.
Ninguém pode esperar morrer para legar um filho, ele deve fazê-lo ainda no auge do seu vigor, de modo que ao estar moribundo os filhos também possam lhe auxiliar no ocaso da vida. De certa forma isto aconteceu no decurso do último grande conflito mundial, quando as Américas auxiliaram a Europa contra as forças do Eixo.Contudo, permanecem ali certas forças atávicas que ocasionalmente poderão desequilibrar as coisas e ameaçar a paz, especialmente a reedição dos conflitos religiosos entre “os filhos de Abrahão”, tendo Jerusalém sempre como pivô da disputa cruzada-jihad.

Algum simbolismo

laubaru
A presença destas estruturas-de-tempo estão presentes em muitos símbolos tradicionais. No diagrama acima tivemos a oportunidade de ilustrar ambos os arcos-de-tempo através de "suásticas" arredondadas contrárias, símbolos tradicionais multimilenares. Nos inspiramos na verdade em símbolos como o laubaru celta ou neste calendário solar nahua, abaixo.

Calendário nahua "Roda do Sol"
Cada suástica pode expressar a “integração dinâmica” da unidade milenarista, onde as estruturas sociais acham-se devidamente reunidas em pares por afinidades (eixo vertical clero-aristocracia e eixo horizontal burguesia-proletariado), formando os ciclos baktuns de 400 anos dos calendários meso-americanos.***

Deriva destas culturas –altamente dedicada às Ciência do Tempo como se sabe-, da mesma forma, outro símbolo importante que detalha as estruturas sociais do milênio -embora se aplique também à estrutura da Era solar de 5 mil anos. Trata-se do famoso símbolo atribuído ao deus Hunab Ku, abaixo.

O símbolo "solar" de Hunab Ku

Temos aqui, pois, novamente reunidos em pares os eixos socioculturais afins (sob baktuns, segundo vimos), estando ainda assinalados os oitos séculos “sociais” na forma dos pares-de-volutas. Todas as etapas de transição acham-se apontadas nos detalhes das esquinas e nos degraus dos quadrantes (como katuns ou ciclos de 20 anos), sendo que a Transição Maior (Idade do Diamante) encontra-se ao centro representada (seja como ½ baktun no caso do milênio ou como milênio mesmo para a Era solar).

Este núcleo central evoca a seu turno o famoso símbolo taoísta o ying-yang, ao lado, e que também comporta o pequeno-ying e o pequeno-yang. Alude assim aos “Quatro Elementos” e às decorrentes quatro classes/castas sociais e quatro estágios/estados da consciência humana.

Esse símbolo aponta certa Hierarquia dos Elementos, onde comumente Água e Fogo são tido como originais (supostamente, correspondem ao clero e ao proletariado), e Terra e Ar como derivados –isto é, combinações e energias mais centradas. Casualmente, um dos nomes deste símbolo é “Céu-Terra”, denotando a valorização do equilíbrio buscada pelo Taoísmo. Não obstante, a hierarquia formal também é rompida pela própria circularidade do tema, sugerindo a dinamização e a integração sociocultural. Esta possibilidade costuma ser alcançada sob a influência de forças históricas transcendentais.

Estruturas e livre-arbítrio

A sutileza destes temas nos deixa desarmados, nem sempre a analogia basta para convencer. No entanto, a própria Ciência começa a investigar as estruturas da mente e da consciência, verdade que com limitações e reduzido à “formação” infantil. Contudo o ser humano pode realizar transformações posteriores nas suas energias, mas infelizmente a Ciência se coloca limites quando se trata de investigar estados-alterados-de-consciência e o trabalho criativo com energias metais ou espirituais. Um dia, o construcionismo terá que enfrentar o desafio de compreender as transformações do desconstrucionismo. **** 
Um aspecto das Filosofias do Tempo que incomoda a religião seria o seu suposto “determinismo”. Já para a Ciência, a pretensa causalidade astrológica lhe soa inverossímel.

À primeira vista pode parecer espantoso e até soar a fetichismo, a possibilidade de oferecer padrões para a evolução das coisas, e ainda observar a exatidão dos fatos dentro das estruturais oferecidas. A ordenação das coisas numa ordem causal soa a “pensamento mágico” e a artifício. Porém, há que se considerar aqui duas coisas:

1. As estruturas são necessidades cósmicas, não existe realidade que não tenha ciclos e etapas no seu desenvolvimento, desde uma pedra até uma galáxia. Ademais, as estruturas são variáveis, não existem padrões absolutos, apenas tendências múltiplas e gerais.

2. As estruturas não determinam uma evolução: são os fatos deliberados que determinam um curso estruturado de evolução em vista. Assim, é o próprio livre-arbítrio que determina os padrões que devemos seguir –ressalvados é claro, aqueles limites históricos que possam recair sobre a nossa real liberdade de opções.

As diversas estruturas cronológicas existentes (sempre muito conectadas à geometria), se assemelham às camadas geológicas, e talvez aos extratos atmosféricas e oceânicos.
A correlação dos fatos com as estruturas (das quais a astrologia é uma linguagem) representa aquilo que chamamos de “estradas da vida”. Quando escolhemos uma estrada de terra pedregosa e esburacada, somos forçados a andar bem mais lentamente, mas quando optamos por uma via expressa bem asfaltada podemos andar muito mais rápidos. O Budismo dramatiza isto através do símbolo do Bhavachakra ("Roda da Vida"), abaixo, com evidentes conexões astrológicas.


Assim, existe uma relação causal entre o livre-arbítrio e os padrões-de-consciência. Nós sempre escolhemos a estrada-da-vida que queremos trilhar. As coisas não são exatamente determinadas, porém colhemos os frutos daquilo que semeamos. Os padrões que vivemos não nos determinam, nós mesmos os escolhemos. A estrutura que está por detrás de uma evolução não determinada esta evolução, antes pelo contrário. As estruturas são necessárias para o desenvolvimento das coisas.

Palavras Finais

Faz cerca de dez anos que viemos investigando, aprimorando e divulgando os temas da Sociologia Holística e Estrutural, e após escrever dezena de livros e artigos sobre o assunto, a presente matéria deve representar um marco no amadurecimento desta Sociologia do Novo Mundo, pela clareza e amplitude na exposição dos temas, pese representar quase apenas uma síntese didática de informações. Esta inédita abordagem estruturalista e epistemológica da transição planetária, pode trazer muitos esclarecimentos sobre as sociologias do último milênio e dos séculos ainda por vir, além de esclarecer os mecanismos que harmonizam os ciclos com a deliberação pessoal ou social.
Uma das coisas que habilita a Filosofia Perene a se apresentar como tal, é que ela trabalha com as eternas transformações das coisas, de modo que na administração do paradoxo ela conquista o seu equilíbrio. O Perenialismo pratica aparentemente uma Epistemologia-às-inversas. Ou seja, ao invés de buscar uma Filosofia da Ciência, dedica-se antes à Ciência da Filosofia. Muitos poderão entender, contudo, que no fundo se trata de uma só e única coisa.
Ou pelo menos, seriam aproximações realmente férteis capazes de mútuo reconhecimento e aceitação, já não irreconciliáveis, encerrando assim as divergências entre as disciplinas do céu e da terra, da consciência e da matéria –coisa para a qual as descobertas da Física Quântica abririam as portas, especialmente através do libertador “Princípio de Incerteza” pelo qual a luz pode ser vista seja como matéria densa (quantum, “corpúsculo”) ou como energia fluida (fóton, “onda”). Uma mesma pessoa seria capaz de obter esta dupla-percepção em momentos diferentes, de modo que na prática se encerra a porta divergecionista no conhecimento humano.
Houve tempos felizes do mundo, em que Ciência e Filosofia andavam perfeitamente unidas. Foi somente quando a superstição tomou conta do Conhecimento profundo, em função do afastamento da Sabedoria das Origens, é que começou a surgir a Ciência física para contrapor as crendices rasas e o fanatismo que as acompanhavam. Hoje ingressamos todavia nos tempos das Paralelas Cósmicas: a Era de Aquário.


* Estas variantes possuem bases matemáticas e também astronômicas, convertidas na Astrologia dos Cronocratores ou “Senhores do Tempo”, através das conjunções entre Júpiter e Saturno. Nunca é demais dizer, contudo, que não existe uma influência planetária, mas apenas analogias entre as esferas, permitindo criar símbolos.
** Talvez se pudesse supor que o tema até se repita em algum nível em todos os milênios, posto que mil anos antes este processo também ocorreu em certa escala pela chegada dos chineses ao Golfo do México (assim como os Fenícios à América do Norte, em data mais recente), dando origem às Civilizações Meso-Americanas a partir da cultura Olmeca. Contudo, temos relacionado isto mais à necessidade da busca de novos territórios para a preservação das Tradições Prístinas, quando as antigas culturas começam a se afastar das próprias origens unificadas, razão pela qual este tipo de “interferência” culturais não envolve conquistas e sim benefícios, perfeitamente registrados nestas sociedades como a chegada de “deuses civilizadores”, não raro louros e barbados.
*** As pretensões milenaristas nazistas estavam alimentadas por certas informações e intuições, uma vez que contavam com algumas bênçãos culturais e sociais, porém altamente maculadas pelas distorções da época e até da sua região; simplesmente já não havia motivos para sonhar com um novo milenarismo europeu ou com um reforço do papel do Estado. A intervenção da “América” pode ter sido capital para evitar que as forças do Nacionalismo se apoderassem da Eurásia então, visando preservar, assegurar e impor as conquistas do Iluminismo mundo afora. Contudo, esta forma de imperialismo burguês tampouco serve para a evolução do todo, e assim como o marxismo ele tem os seus dias contados.
**** É bem como se houvesse tabus nesta esfera -quem sabe temores de encontrar Deus ou algo que justifique esta crença. Infelizmente a Ciência nem sempre está em busca da Verdade, sendo antes movida pela indústria, seja bélica ou capitalista.

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As Grandes Transformações Planetárias

* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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