sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Parábola do Elefante e o Calendário Social



A parábola do Elefante é bastante conhecida. Vários cegos apalpam um elefante e cada um apresenta a sua descrição do animal; para um ele é como um pilar, para outro ele é como uma serpente, para outro é como uma folha de bananeira, e para outro é mais como uma parede.
Eles querem discutir quem tem razão, e isto não leva a nada. Somente alguém que vê, percebe que todos têm a sua parte de razão, mas ninguém tem toda a Verdade. A soma das partes é que é a Verdade.

A parábola é tipicamente oriental, na medida em que a vetusta Filosofia Oriental alcança contemplar amiúde o Todo.

Contudo, esta parábola não quer desmentir a legitimidade da percepção de cada um, apenas vem lembrar que existe algo Maior, que no caso da política seria a unidade da Nação.
Todos têm uma parte da verdade, as diferença são naturais e legítimas, não tanto como indivíduos –afinal -e preciso limitar tanto relativismo como o absolutismo-, mas como categorias sociais.
As diferenças são legítimas e naturais. Mas todos devem saber que existe uma Unidade que transcende a tudo e a tudo coroa, representando a meta universal da evolução social, e até mesmo a coroa supra-humana da humana evolução.


É importante conhecer o Todo para conhecer a Parte. Sabendo onde devemos chegar, saberemos o que toca agora fazer. É preciso método, metodologia, para não cair no caos e na incerteza.
Como se diz, “cada um quer puxar a brasa pro seu lado”, porém certos ajustes podem favorecer muito a concórdia. Classes são como os Elementos da Cosmologia, que no começo estavam misturadas no Caos, até que a Criação fez uma sair de dentro da outra e gerar o Cosmos a Ordem.

Este é um convite à busca da Verdade, do Elefante completo. Respeitando, porém, as verdades menores, mas sobretudo aquelas mais próximas, que são as mais presentes e atuais, especialmente úteis na evolução ou mais atuantes na composição do Todo, sem atavismos e sem atropelos.

Primar por um sistema social, não significa afogar as outras classes, apenas priorizar aquilo que mais útil para a evolução geral, inclusive em termos de alavancar a mobilidade social.

Os Antigos conheciam calendários da evolução social, tão precisos quanto o calendário de desenvolvimento dos indivíduos, com suas fases “científicas” de infância, juventude, maturidade e velhice.

Alguns analistas sociais, já identificaram este ciclo que os Antigos davam tanta importância. No Brasil, este ciclo de 200 é tão potente, que ele chega a constituir uma nova Capital Federal, simbolizando a oficialização de um novo Estado social.



O Estruturalismo pôs o tema dos ciclos em voga, muito embora haja muito caminho a percorrer até se ter segurança dentro desta sábia, profunda e tradicional ciência.

O Calendário Social


Sucede daí que os períodos de 200 anos determinam ciclos sociais básicos, fato que já consta até nos manuais acadêmicos sobre História Política. Esta cosmologia segue a ordem da “densidade” dos Elementos. Primeiro se forma um Proletariado: Elemento Terra. Depois, sobre esta base produtiva, se forma uma Burguesia: Elemento Água. Logo, sobre esta base distributiva, se forma uma Aristocracia: Elemento Fogo. E por fim, sobre esta base nacionalista, se forma um Clero: Elemento Ar.




No Brasil, talvez por se tratar da nova raça-raiz paradigmática, tudo isto está definido através de um calendário sócio-regional muito preciso e exemplar, que faz do país uma verdadeira mandala geográfica, demarcada pela implantação/mudança das novas Capitais Federais exatamente na fase central de cada ciclo de 200 anos. Esta centralidade no tempo, corresponde à posição dos Signos Fixos do Zodíaco, ditos “signos-de-Poder”, associado, no caso, à consolidação de cada novo Estado social, tendo como símbolo o seu pólo ou a sua polis particular.

Assim, de início se formou as bases do Proletariado, quando a sociedade brasileira estava concentrada no Nordeste, capital Salvador (1578). Depois se formou as bases da Burguesia, quando a sociedade brasileira estava concentrada no Sudeste, capital Rio de Janeiro (1763). Logo se formou as bases da Aristocracia –e ainda está se formando-, com a sociedade brasileira concentrada no Centro-Oeste, capital Brasília (1960). E num futuro não-remoto, se formará as bases de um Clero autenticamente nacional, quando a sociedade brasileira estiver concentrada no Norte, possível capital Manaus.


Note acima, a regularidade cíclica de 200 anos na fundação de cada Capital, não ultrapassado sequer a unidade de 20 anos que é o ciclo katun dos maias-nahuas, base do Calendário Cronocrator que regula os ciclos sociais e das civilizações.

Nesta fase formativa das Civilizações, as classes sociais adquirem a princípio formatos algo incipientes, já que envolve toda uma evolução interna e comum. Tal coisa tolhe a possibilidade da utopia, senão como intenção dentro do próprio parto social, já que todos os esforços estarão concentrados no ato criador momentâneo: todas as classes devem cooperar em prol da evolução comum. Aqui existe a necessidade de obedecer com critério a um Calendário Social, sob pena de uma nação ter as suas bases tolhidas e não alcançar se formar como deveria. Poder-se-ia até falar da imposição do coletivo sobre o individual, sob a carga da necessidade comum, porém cada vez menos, na medida em que as estruturas sociais evoluam e se completem.

O trabalho, por exemplo, evolui nestes ciclos no sentido escravidão=>servidão=>serviço=>colaboração, culminando portanto no trabalhador livre sob o marco da manifestação do clero. Em sentido oposto, o clero se expressa através das fases sócio-formativas como dogma=>reflexão=>instrução=>iluminação. Da burguesia, podemos estimar a evolução exploração=>concessão=>associação=>partilha. E na Aristocracia, se poderia entrever a evolução como sujeição=>voluntarismo=>corporação=>irmandade.


É sempre importante resgatar o sentido –e o espírito- da palavra “aristocracia”, já que na decadência do ciclo monarquista do Velho Mundo, o tema se resumiu a uma nobreza decadente concentradora de privilégios. Nada mais contrário à realidade, senão que a natureza desta classe envolve efetivamente poder político e mesmo a administração. A verdadeira nobreza é formada por guerreiros-da-alma, uma casta superior devotada à justiça e à ordem, defensora da moral e da religião. Assim, a aristocracia (do grego aretê, “virtude”) é a classe dos justos e virtuosos, são eles que defendem a nação dos espoliadores, como dirigentes sociais e militares graduados. Fazem a ponte entre o povo e a religião, protegem os interesses do clero e, através destes, de Deus mesmo.


Esta é a fase em que nos encontramos hoje, de formação de uma classe de guerreiros nacionais. Por isto, as bases da aristocracia se assentam no Nacionalismo, que é uma das grandes tendências sociais modernas, a se embater contra as poderosas ideologias dominantes em outras classes organizadas, especialmente a burguesia capitalista nos nossos dias, já que a força do proletariado organizado está em descenso. Sua expressão superior é a Monarquia, já no arco das Idades do Mundo, quando despontam as Idades de Prata das Civilizações. Os valores da Monarquia são outra realidade a ser oportunamente resgatada, em toda a sua beleza de regime heróico, assentado sobre a base social da Aristocracia.




Porém, o Calendário das Idades segue uma evolução oposta e mais alongada do que a formação social, porque representa o lento descenso da Pirâmide do Tempo. Nisto, valeria adiantar, e sem querer exasperar ninguém, que as realidades sociais dos distintos hemisférios da Terra, podem nem sempre ser as mesmas, já que integram de certo modo arcos opostos da Pirâmide do Tempo. A análise marxista, por exemplo, detinha certa universalidade atual, porém era ainda mais válida para o Velho Mundo, razão pela qual -dir-se-ia-, ela teve maior facilidade de se expandir por lá. No Velho Mundo, havia maior influência atual das classes materiais, sob a desconstrução das classes espirituais, ao passo que no Novo Mundo tudo está ainda em construção, e hoje se parte da base material algo consolidada, para criar as estruturas sócio-espirituais futuras.

Como último detalhamento, precisando o momento atual, sucede estarmos no ocaso no ciclo formativo nacionalista, sendo a aristocracia uma classe regida pelo Elemento Fogo. Tal como o momento atual de 60 anos está regido pelo signo de Leão, o Rei solar, e o anterior esteve regido por Áries, o guerreiro puro e impetuoso que estabeleceu no país uma República militarizada em 1889, este novo momento que começa em 2020, estará regido pelo arquétipo de Sagitário, o Filósofo aspirante. Tal coisa prepara naturalmente o ciclo social vindouro, de base expressamente espiritual ou religiosa da nação. Por esta razão, da mesma forma como hoje se fala muito da importância do Nacionalismo-social (não confundir com Nacional-socialismo/Nazi-Fascismo, que é uma inversão materialista destas premissas), a partir da década de 20 se falará mais da necessidade de um Nacionalismo-espiritual, quando a sociedade nacional demandará a necessidade de se apurar e evoluir moral e espiritualmente.




Estes momentos centrais que ainda vivemos, são também aqueles de consolidação do Estado, através do aprimoramento de Democracia –algo para o qual o “Projeto-Exodus: um Mundo para Todos”, tem muito a contribuir e vem em boa hora, com sua proposição dos Três Pilares da Democracia: 1. governabilidade via equilíbrio demográfico campo-cidade, 2. sufrágio universal voluntário e 3. supervisão popular sistemática.


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* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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