domingo, 30 de maio de 2010

Pode ser fácil mudar o mundo, afinal...


O mundo tem atravessado grandes crises ao longo de toda a sua evolução, e muitas vezes teve que enfrentá-las em grande conta, mas soluções sempre foram encontradas antes de ser tarde demais para todos.
Naturalmente, a Terra possui “anti-corpos” para resolver os problemas que sobre ela são criados –e para muito além daqueles que prevê a “teoria Gaia”, pois além das “reações da Natureza”, existem a bondade natural, as virtudes das pessoas e também a proteção e a orientação de forças superiores capazes de sempre auxiliar.
Quando o Amigo do Homem –“Prometeu”- entregou o Fogo sagrado à Humanidade, ele previu formas dela prevenir-se e até de safar-se do mau uso deste instrumento divino –o qual pode ser a mente, o engenhosidade, o livre-arbítrio, etc. Afinal, o mundo foi criado por Deus sobre a base do Bem.
Acontece que existe uma arte para cada coisa, uma semeadura para cada Estação, e é preciso conhecê-la. Ademais, a Sabedoria nunca propõe soluções fanáticas, irreais e parciais, pelo contrário: ela é sempre ampla, flexível e generosa.
É preciso contar com estes recursos, portanto, se queremos ter as soluções possíveis. A virtude das grandes soluções, é que elas são propostas universais e de interesse geral, caminhos nos quais todo mundo pode ajudar e ser ajudado.
Assim, pode ser até fácil mudar o mundo, quando podemos contar com a pureza da Natureza –e aqui se incluem fortemente as crianças- e as virtudes dos Mestres, assim como a própria boa-vontade humana. Isto se relaciona ao grande Tripé que todos os Caminhos de salvação sempre apontaram, como é Buda-Dharma-Sangha (Mestre-Doutrina-Comunidade).
É claro que, quando falamos sobre “mudar o mundo”, estamos nos referindo em primeiro lugar a mudar o país, que é a verdadeira tarefa que nos toca como cidadãos. A máxima ecologista “pensar globalmente e agir localmente”, se aplica diretamente aqui: cada cidadão consciente, deve ter a mente fixada ao menos na dimensão da sua pátria. Tal coisa não é inócua globalmente, sobretudo em se tratando de países de extensão significativa como é o Brasil, que é o quarto maior país do mundo em terras contínuas. Algumas premissas revolucionárias ou reformistas, corroboram historicamente a eficácia desta medida desde a Antiguidade. As revoluções mundialmente vitoriosas, têm por base uma grande nação. O sucesso do modelo tende a se reproduzir, e pessoas de boa-vontade sempre estão atentas em toda parte, para apoiar uma transformação social num solo em evolução.
As pessoas “esclarecidas” gostam de dizer que o mundo não pode ser mudado, sem antes as pessoas mudarem elas mesmas “internamente”. Seguramente, há muita verdade nisto. Porém, o espírito prático mostra que o oposto também é válido. As pessoas que não dão um jeito de mudar de vida, tampouco conseguem mudar muito consigo mesmas. Este é um ensinamento mais do que ancestral, e está na base de todo o realismo e a boa-vontade verdadeira –a menos que queiramos nos alienar num fanatismo fundamentalismo, que mal ultrapassa o duvidoso valor de uma droga.
Assim, uma das coisas mais sábias a fazer quando queremos e necessitamos mudar o mundo, é simplesmente... mudar de mundo. O agricultor sabe que não pode semear algo sem limpar o terreno; o educador entende que necessita da atenção dos seus alunos na sala de aula; e o treinador conhece a necessidade da concentração antes da competição.
“Um novo espaço para um novo tempo”, é a máxima inatacável do êxodo urbano. A mudança de ambiente, é uma das grandes medidas tradicionais, providenciais e emergenciais, propostas pela Hierarquia para renovar as sociedades através dos tempos, e sempre com grande validade e eficácia. Tal como o êxodo rural tem uma destinação materialista, porém incha as cidades e deteriora o ser humano, o êxodo urbano inverso detém uma função espiritual, regeneradora, moralizante e libertadora.
É preciso usar a estratégia e a inteligência para o bem. E não ser ingênuo achando que podemos plantar as nossas flores no meio do mato do inimigo, sem contaminá-las: de fato, terminaremos é plantando para ele...
Seremos como o burro atrás da cenoura que nunca irá alcançar. “Na próxima eleição, teremos um candidato melhor, votaremos com mais sapiência”, e assim por diante. Para aquele que busca um ideal, a Democracia passa mais por uma ilusão, mas a idéia de aperfeiçoá-la depende necessariamente do equilíbrio estrutural das coisas, sem inchaços ingovernáveis e nem vazios ingovernantes.
O grande problema da esperança, é que ela é a última que morre –não duvidemos disto. A esperança é muitas vezes uma praga que transportamos até muito além do razoável, restando apenas ela e nada mais. O importante não é esperar ou resignar-se, mas agir de forma inteligente e enquanto é tempo.
O outsider é um estrategista fantástico, à diferença de que ele deve disseminar a sua idéia entre muitos e transformar a sua proposta em algo prático. Por isto, o êxodo tem sido uma resposta recorrente nas grandes épocas de renovação da História, num sentido ascendente do termo, quer dizer, não revoluções materialistas, mas amplas renovações espirituais de caráter multiplicador.
Por alguma razão, o ideal outsider andou contaminando o mundo ocidental há algumas gerações. Então se buscou a idéia da viagem ou da mudança, interior e exterior. Muitos experimentos foram realizados, e a síntese disto tudo deve ser agora colhida.
Pare agora um pouco para pensar, e imagine o tamanho da “revolução” que representa organizar uma Rede de comunidades auto-sustentáveis, com crianças nascendo todo dia que nunca souberam do caos do “mundo exterior”, antes de serem preparadas para nele agir sem serem contaminadas com os seus inúmeros males. A única coisa que pode definir o sucesso ou o fracasso da empresa, não a própria idéia em si, mas o tamanho do investimento em tal coisa. Se muita gente acreditar nisto, o Futuro certamente estará assegurado.
Pois aqui entra então outra grande verdade: a de que as mudanças importantes sempre foram realizadas por pequenos grupos, que com o tempo se expandiram e influenciaram sociedades internamente desorganizadas. Porque todo o seu sucesso se deveu, neste caso, sobretudo a isto: a harmonia entre a disciplina de ordem interior, com o espírito de missão exterior.
Quando um dos pólos das coisas se desequilibra, ele faz pressão sobre o outro pólo. Por isto o equilíbrio é fundamental, e tal coisa inicia com as coisas mais tangíveis, como a administração do tempo, a equação direito-dever e a distribuição demográfica em geral.
O ilimitado e o imenso são o caos, é preciso delimitar o espaço e combater a impessoalidade. Cidades grandes são situações praticamente sem-solução, mas isto não significa que todos não possam fazer a sua parte e participar, mesmo “moralmente”, das grandes respostas e assim evoluir espiritualmente, auxiliando a fazer aquilo que de mais importante possa ser feito por todos: a busca do Equilíbrio Universal!
Aquele que “fica” pode fazer a sua parte auxiliando os que “vão”, pois com isto se alivia a pressão urbana e reorganiza a vida rural ou recria pólos urbanos mais sãos em outras partes, enquanto “ventila” a sua alma sabendo que faz o melhor que se é capaz de fazer pelo mundo.

Da obra “Noozonas – Bases da Noosfera”

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