sábado, 7 de fevereiro de 2015

Os Dois Pilares da Nova Sociedade



Neste artigo trataremos de resumir aquilo que seriam os Dois Pilares da Nova Sociedade, visando uma renovação sócio-cultural definitiva no mundo e, em particular, no Novo Mundo em especial o Brasil. 

Faremos isto pois através de dois itens, e nada disto significa “pretender reinventar a roda”, mas apenas “recolocá-la em movimento” como prescrevem os orientais. Da seguinte forma:

1. Restabelecer o “Fluxo da Vida” – a medida “social”
2. Estabelecer a “Revolução-do-Meio” – a medida “cultural”

Passamos pois a analisar os temas –que representam “medidas indissociáveis”-, concluindo ao final com algumas observações gerais.

 1. Restabelecer o “Fluxo da Vida” – a medida social

O “Fluxo da Vida” é um nome mais genérico para aquilo que Hegel chamou de mobilidade social, porém com um sentido não tão econômico como tinha para os filósofos modernos. Vamos a um exemplo tradicional.
Note-se que, pese todas as críticas que se possa fazer do modelo social hindu, a pirâmide social hinduísta possui estrutura basicamente cultural e axiológica, e não tanto econômica. Por esta razão a “burguesia” está nas bases e os sacerdotes estão no topo, eles que não costumam deter maior poder econômico na Índia, mesmo que os brahmanes não sejam exatamente monges.

Claro que muito disto tudo está hoje corrompido. Vale notar porém que, por detrás deste sistema social, existe uma estrutura cultural de educação-permanente chamada ashramas, que determinava as castas (varnas) pela formação cultural e pela vocação das pessoas, sem quaisquer considerações outras. Só depois o sistema foi distorcido, estabelecendo o nascimento acima da educação e da vocação. O Varnashramadharma (“lei das castas cíclicas”) era, pois, uma espécie de sistema iniciático coletivo ou social.

Enfim, o “Fluxo da Vida” é apenas deixar as coisas fluir naturalmente, sem privilégios nem preconceitos de nenhuma natureza, e sem empecilhos para ninguém avançar, estabelecendo solidamente os alicerces da Fraternidade Universal.

Para isto as pessoas devem estar preparadas para a universalização da educação permanente em termos holísticos e integrais, o que implica em superar certos preconceitos elitistas contra ou a favor de coisas como trabalho físico e intelectual, especialmente naquilo que diz respeito às novas gerações.
Isto não significa que as pessoas deverão fazer “de tudo” o tempo todo (embora isto também deva estar disponível) como propugnam alguns, mas elas deverão sim ser estimuladas a fazer de tudo (forma de dizer, na verdade se trata mais de posições sociais e hierarquias de tarefas) por etapas.


2. Estabelecer a “Revolução-do-Meio” – a medida cultural

Vamos fazer aqui uma leitura desta expressão em três níveis.
Primeiramente, naquilo que pode soar mais óbvio, o termo “Revolução-do-Meio” implica em enfatizar e qualificar o meio-ambiente na sociedade humana. Este é um ponto pacífico e consensual em todos os projetos de sociedades futura, restando apenas discutir detalhes a respeito. 


Contudo, a palavra “meio” aqui não significa apenas ambientalismo, mas todo o ambiente em si. Cabe criar um novo modelo cultural para a sociedade humana. Afinal, como dizia o filósofo midiático MacLuhan, “o meio é a mensagem”. 
Adaptando esta ideia para toda a cultura, o ambiente no qual vivemos nos diz coisas todo o tempo (fenomenologia social interacionista). Por isto a educação e a cultura não podem estar divorciadas do nosso cotidiano. Enfim, não adianta muito apenas “pintar de verde” a nossa vida se não mudamos também hábitos e valores. A mudança da moldura deve refletir a mudança de todo o quadro, ainda que o stablishment venha obviamente a tentar mudar apenas aquela e não este.


Mas acima de tudo, o termo “Revolução-do-Meio” diz mesmo respeito à procura pela
Meso-Revolução. Este é um caminho central –e como tal realmente fértil e equilibrado-, em relação às duas vias de transição buscadas sob a Guerra Fria, uma interior “alternativa” e mais espiritual pelos “novos sábios” e “sábios guerreiros”, e outra exterior “guerrilheira” e mais física pelos “novos guerreiros” e “guerreiros-sábios”. A proposta média hoje em curso é a integrativa, sendo aquela que nasce da alma, reunindo enfim definitivamente sábios e guerreiros. E nisto, toca a estas categorias atuar conjunta mas prioritariamente em duas frentes: a desconstrução dos velhos ambientes e a construção dos novos ambientes.

Através isto, se trata por um lado (“alternativo”, através de sábios e de sábios-guerreiros sobretudo) de socializar os recursos e a experiências alternativas através de:
a. criação de estruturas sociais novas de alcance social, na expansão da comunidade alternativa ou da ecovila (embora estas também possam seguir existindo para certas finalidades) para a cidade sustentável e holística;
b. a formação ou a expressão social de agentes pedagógicos para difundir socialmente os conhecimentos adquiridos de forma mais ou menos autônoma, autodidata e underground nas recentes gerações.


Por outro lado (“guerrilheiro”, através de guerreiros e de guerreiros-sábios sobretudo), cabe canalizar a militância para a criação destes novos modelos sociais, atuando:
a. na denúncia do velho e na conscientização do novo;
b. coordenação dos comitês de êxodo urbano.

Não obstante, o engajamento interno também é essencial, para evitar o isolamento e o dualismo cultural. O engajamento sincero e profundo é a grande chave para o sucesso de todas as revoluções culturas profundas na História da humanidade. E isto pode ser feito especialmente por aquelas pessoas que por qualquer razão não podem ainda se desligar do velho sistema, e também por quem se acha capacitado a atuar ali de forma mais o menos contínua. A penetração no velho sistema deve ser profunda, com ênfase nos meios mais carentes e populares.
 
Assim, de maneira complementar, estes dois grupos principais também saberão dar uma atenção especial para melhorar o antigo modelo social, realizado atividades positivas também nas velhas cidades, como:
a. mobilizações sociais reivindicativas, conscientização midiática de cidadania e soberania;
b. replanejamento ambientalista e social, criação de comunidades urbanas fixas ou de transição, projetos sociais ambientais.
c. ensino e orientação social, cultural, terapêutica e espiritual. Etc.

Observações gerais

O leitor notará certamente que no item inicial “Restabelecer o ‘Fluxo da Vida’”, falamos sobre estruturas sociais holísticas, mas depois no item seguinte “Estabelecer a ‘Revolução-do-Meio’”, a ênfase foi quase toda para os sábios os guerreiros.
Tal coisa deriva da natureza da Nova Sociologia ou da Sociologia Novomundista, afeita para os estágios do constructo sócio-cultural do Novo Mundo, as Américas, especialmente as América Latina.


Sucede que, se numa Europa em desconstrução se tratou de ideologizar as classes materialistas emergentes em franco detrimento das classes idealistas que regeram aquela sociedade até o Renascimento, nas Américas a situação é francamente oposta, uma vez que já ultrapassamos aquela formação básica das classes materiais, tocando agora consumar a classe idealista e preparar a espiritual, tudo isto com todo o viço e inexperiência dos novos movimentos sociais.
Estes novos sábios e guerreiros são pessoas que aprenderam muita coisa na prática e não são pessoas elitistas, mesmo muitas vezes oriundos das elites. Ainda que não raro padeçam de alguma confusão natural sob a carga das ideologias alienígenas que buscam fraccionar socialmente -ou até “desconstruir” anarquicamente- a sociedade, coisas impossíveis todavia de fazer num mundo ainda em formação como o das Américas
Houve de fato entre nós também movimentos proletários e guerrilhas proletaristas nem sempre bem orientados. Hoje estas tendências são importantes na nação por causa do vácuo político deixado no país pelas intensas atividades retrógradas da Ditadura. Contudo, estas forças não ajudam realmente no avanço da nação, especialmente quando estas ideologias têm sucumbido já nas suas matrizes restando apenas a caricatura, o mito e o oportunismo.

De resto a proposta é que estas pessoas penetrem na sociedade em geral para trabalhar pelo direcionamento para as novas coisas, cientes que toda a ênfase materialista reforçará apenas duas coisas:
a. a atrofia cultural materialista (Ieia-se: burguesa-proletária) detendo o avanço sócio-cultural do Novo Mundo (que inclui o ambientalismo, o fraternalismo e a nova espiritualidade), e
b. o empoderamento das forças alienígenas predatórias, os chamados “interesses internacionais” de exploração (neo) colonialista, que tendem a instrumentalizar a seu favor especialmente as classes materiais, uma vez que estas possuem afinidades com os cursos da Sociologia do Velho Mundo - os quais não obstante já se acham muitas vezes defasadas e atrofiadas.


Com isto tudo estaremos finalmente dando “nome aos bois” quanto à nossa verdadeira identidade social americanista, e discernindo a nossa própria função daquela outra que prevalece na Europa, onde não existe interesse para o fomento de algo tão amplo e libertário como existe entre nós.
O Velho Mundo ruma hoje para uma Anarquia quantitativa/materialista, mas o Novo Mundo entrevê no seu “remoto horizonte” a grande estrela de uma Anarquia qualitativa/holística realmente renovadora para toda a humanidade.


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