sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma Nova Sociologia



Os acontecimentos que envolveram o fim da União Soviética, assim como tantos outros que acontecem no mundo capitalista, dão testemunho de que a Sociologia ocidental tem sido parcial e estado enferma. Visto a fundo, tem faltado muita coisa em toda parte, na medida em que os resultados são uma brutal alienação do meio-ambiente, de Deus e do próximo –quer dizer: os valores mais fundamentais da vida, tem sido sobejamente negligenciados nos últimos séculos de “ilustração” científica.



Vejamos o caso dramático da extinta União Soviética. Apesar de se pretender ali fomentar a humanidade e a igualdade, a liberdade era coisa muito restrita, a ponto de terem erguido o defando muro para impedir as pessoas de fugir...
Outros muros existem hoje, e provavelmente se multiplicarão ainda mais com o crescimento da xenofobia atual, sob as crises econômicas e ambientais crescentes.
Os ocidentais julgam que eles mesmos criaram a Ciência da Sociologia - imenso engano este. Todos os povos tradicionais refletiram profundamente sobre o assunto, de forma ampla e isenta, e prova disto é a estabilidade e a sobrevivência das suas antigas sociedades. Distorções à parte, o Brahmanismo tem forjado na Índia uma verdadeira página-de-ouro na ordem social, onde as classes eram preparadas através de um sistema de educação permanente, o varnashramadharma.



A Sociologia ocidental é mormente uma doutrina laica e materialista, e a dialética histórica de Marx é redutiva, servindo unicamente –de forma sempre parcial-, para o fim de ciclo racial da Eurásia. Não serve tanto para os novos grandes lances da História, nos quais a matéria é apenas uma base, mas nunca o fim. Afinal, as Américas vivem o seu parto, pois acontece uma verdadeira Sociogênese (e não uma Sociosíntese, como ocorre na Eurásia), e nisto mais vale o movimento criador, o fiat da renovação e a própria Revelação.
Por isto, é preciso que as pessoas de visão despertem para a necessidade de uma nova Sociologia, mais ampla e refinada, porque afinal a ordem social está na base de toda a construção civilizatória. Uma Sociologia traçada para estes novos momentos verdadeiramente criadores da História, anunciados com precisão pelos Antigos através de datações como a de 2012, quando é chegado o anunciado “Sexto Sol” dos maias-nahuas ou a Sexta raça-raiz dos teósofos.



Passados quinhentos anos de formação, é chegado o momento decisivo de um grande movimento de síntese. Dir-se-ia que as bases materiais estão formadas, a tal ponto de provocar a atrofia materialista. Não nos iludamos que muito mais poderá melhorar apenas através do distributivismo, pois impera o fisiologismo e grandes mudanças não acontecem através da política tradicional, e nem unicamente sob o materialismo.
Tal como um gigante está condenado pela evolução por ser pesado demais, a atrofia do sistema denuncia o seu esgotamento. A Justiça não funcioma, a Economia é instável, a Saúde é seletiva, a Educação é falha, a corrupção campeia, a violência domina, e assim por diante. Tudo isto sinaliza o gigantismo híbrido do Leviatã, gerando a falta de controle das coisas.

Aquilo que falta agora, é a mudança de valores e o contraponto das instituições sociais e espirituais, é o coletivismo e a religiosidade –e tudo isto passa intensamente pelo ambientalismo. A espiritualidade não prescide da Natureza, e é a mesma harmonia natural que permite a existência comunitária, quando a Natureza favorece e ampara o ser humano. As sociedades antigas, não investiram todas as suas fichas numa única visão-de-mundo. Na verdade, as grandes doutrinas sociais de então, detinham um caráter expressamente universalista e, através disto, dinâmica e até mesmo transcendental...
Mas ao mesmo tempo, tampouco cediam à tentação ingênua e perigosa da utopia. Através do emprego criterioso dos seus calendários raciais, devidamente corroborados pelos fatos históricos, investiam antes na construção das etapas atuais de evolução humana e espiritual.



Para isto, aproveitavam as tendências históricas e tratavam de depurá-las da morbidez e do desequilíbrio, canalizando as energias sociais para tarefas construtivas. Comumente, as respostas estão na “simples” harmonização das coisas, ou seja: tirar o que há de excesso, e colocar aquilo que todavia falta. Por isto, não pode haver supopulações e nem desertos humanos, para que não suceda a voracidade e nem o vazio.

Os ciclos sociais

Os povos antigos e também os medievais, trabalhavam muito com os chamados ciclos sociais dos Cronocratores, onde as conjunções dos planetas Júpiter e Saturno ofereciam analogias com certos ciclos sociais capitais como aqueles de 200 anos, que apresentam forte caráter histórico e são hoje de ampla aceitação acadêmica.
Trata-se do ciclo da formação das classes sociais (envolvendo três gerações completas), as quais se consolidam através de revoluções mundiais. Cada classe possui a sua forma e enfoque para fazer isto, segundo os seus próprios valores.



Porém, existe certo consenso na importância do controle da terra. Ainda que o marxismo ortodoxo veja de outra forma, valorizando sobretudo o fator industrial, o maoísmo de certo modo tergiversou a respeito, aproveitando-se da forte base agrária chinesa para implantar a sua revolução comunista. Contudo, ao contrário dos povos medievais, não houve ali uma ênfase no fator revolucionário da terra em si (gerando uma organização social rica e organizada como a dos feudos), com meta de apropiação da terra como uma base permanente de libertação e de apoio aos interesses do Estado central -a serviço, por sua vez, de uma instituição transcedente, a Igreja, como imagem do Governo Paralelo do Mundo, a agarthina Hierarquia de Luz. Mas tão somente de forma instrumental e ocasional, razão pela qual a China cada vez mais fomenta a urbanização e a industrialização, tratando de erradicar o campesino.


Com isto, se promove uma crescente alienação da Natureza, a depauperação social e o enfraquecimento da liberdade, tornando o trabalhador chinês um escravo da industrialização voraz que move a poderosa economia chinesa, capaz de pagar salários quase simbólicos, ao passo que na outra ponta eclodem cada vez mais milionários no país. Por tudo isto, os povos tradicionais tiveram sempre uma reverência suprema pela terra e ao seu modo de vida equilibrado, estando perfeitamente dispostos a morrer livres na luta por suas terras, do que a sobreviver sem alma e sem raízes como zumbis, sem terra nem tradição, sem alma e nem liberdade. O culto à tradição e ao solo dos antepassados, é uma forma de reverenciar e perpetuar estas raízes, onde os espíritos dos Antigos inspiram os seus descendentes com sabedoria, e a alma da Natureza vivifica o cotidiano com beleza, magia e sentido de viver.


 Hoje, o culto da Natureza ressurge como um imperativo histórico e absoluto, por assim dizer, na medida em que envolve a própria sobrevivência do ser humano e a estabilidade da ordem natural. Para chegar a tanto, todavia, não basta uma filosofia naturalista e uma ideologia burocrática, mais próprio das elites: é preciso alcançar também a alma do povo e atender o conjunto das suas necessidades, inclusive espirituais, sob os entornos de toda uma nova Dispensação.
De fato, podemos antever nas tradições espirituais pós-medievais e renascentistas, um fundamento natural para uma nova civilização, tal como inspira o franciscanismo e seus desdobramentos, no culto do Espírito Santo ou Deus-em-nós, alicerce de um novo humanismo espiritual seguindo a profecia bíblica de uma nova Revelação pentecostal. A Civilização do Espírito Santo, foi um dos grandes motores da colonização do Novo Mundo, e até a chegada do século XX, o campesinato nacional estava perfeitamente imbuído deste espírito, a ponto de preferir morrer unido em gestas heróicas como a de Canudos e a do Contestado, a ceder às tendências laicistias contemporâneas e aos interesses neo-colonialistas do mercado.

Algumas cidades brasileiras, ainda guardam a rica tradição portuguesa medieval do culto do Divino Espírito Santo, que tem nas Cavalhadas o seu auge popular, sinalizando nas Cruzadas a luta pelo solo e pela religião. Ao falar de uma nova Sociologia, invocamos pois paradoxalmente a estes valores atávicos, porque as realidades da História são cíclicas e cada setor do mundo deve reviver as mesmas estruturas sociais na construção da sua Civilização. O controle da terra pela cultura autócne e a construção do seu cotidiano lúdico libertário, representa sempre o mais incontestável dos alicerces culturais.
Sucede que o ideal milenarista que moveu as mais iluminadas forças da colonização novomundista, representam um projeto-de-nação que necessita ser retomado, porquanto nos conduzirá à uma nova Idade de Ouro de harmonia universal, a almejada Civilização do Espírito Santo, que é a mesma Era de Aquário hoje anunciada, onde as águas abençoadas do cântaro do Aguador representam também as forças de iluminação do Espírito santo.
Por isto, na conclusão desta matéria, invocamos ao Camões sebastianista e, através dele, também a Bandarra, Antonio Vieira e Fernando Pessoa, para recordar (contra Cervantes?) a necessidade do espírito heróico e reiterar que:


“Navegar é preciso, viver não é preciso!”


Saudamos assim a todos aqueles que desbravaram os largos horizontes da nação na construção de Brasília, observando que no projeto de interiorização da nação reside ainda a mais importante das respostas para este grande país, na medida em que permite desafogar os litorais e organizar outra etapa cultural a partir de suas novas fronteiras. Especialmente se, tal como na colonização do Novo Mundo, este projeto for assumido também por forças movidas por um idealismo superior, tal como certamente aconteceu com os mentores de Brasília, pese as poderosas pressões contrárias que infelizmente logo se poderaram dos rumos do país por décadas a fio. Contudo, é hora de retomar os Passos Perdidos com força redobrada, e as tendências históricas do Continente apontam justamente nesta direção, reforçadas pelos movimentos de reforma agrária e as emergentes forças sociais etnistas e ambientalistas. O problema da terra no Brasil é sério –por paradoxal que pareça-, mas necessita ser enfrentado.
Por tudo isto, conclamamos, enfim: - Guerreiros da luz -nacionalistas, espiritualistas, ecologistas e socialistas-, uni-vos! Porque a união é a força e a força é a transformação que todos necessitamos.


Para saber mais, remetemos o leitor à nossa obra “Brasil: o Livro do Tempo”, Ed. Agartha, 2011.

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* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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