terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Educação e atuação social no Anarquismo: a questão construtivista

Sabemos que o anarquismo enfatiza a desconstrução das estruturas culturais rígidas, dos condicionamentos e da submissão humana. Contudo, a ciência demonstra que a consciência da criança necessita ser construída por etapas –e esta é uma das tantas descobertas recentes da Ciência, posteriores aos grandes teóricos anarquistas do século XIX.

Como se comporta o anarquista diante desta delicada questão? A resposta dependerá de sua própria habilidade e discernimento, assim como das “linhas” anarquistas a serem seguidas.

O anarquista radical buscará apenas proteger a infância, podendo “carregar” na ideologia na educação e formar crianças rebeldes ou omitir-se e sequer dar uma educação mais consistente, ou mesmo fomentar uma educação longe das escolas e até da sociedade.

O anarquista moderado (leia-se: equilibrado) buscará preparar a infância, podendo livrar a criança dos conteúdos massificados da educação oficial e conferir currículos mais apropriados a cada faixa etária e cuidando para evitar maiores contradições entre o meio social e doméstico e a escola.

E o anarquista light buscará adaptar a infância, podendo adotar provisoriamente algum sistema de educação alternativo, sem cuidar maiormente do conjunto do ambiente educacional mais amplo da criança como família e sociedade.

Da atuação social

Posto isto, é importante notar que também existem sociedades-em-construção como são as do Novo Mundo, nas quais o papel do anarquismo deve ser criteriosamente medido, voltando-se mais para o combate do colonialismo e a alienação do que realmente à desestruturar as instituições.
Os anarquistas são comumente arautos da morte da civilização e da desconstrução das estruturas culturais humanas. E isto é muito complicado quando temos um novo mundo em construção como ocorre nas Américas. A Eurásia integra uma cultura que teve já o seu apogeu e vive uma longa desconstrução rumando para o ponto-omega da sua própria evolução. Ali o anarquismo nasceu, floresceu e possui o seu papel-de-excelência.
O Velho Mundo é como se fosse um homem completo rumando para a sua decrepitude já, buscando a sua volta à infância espiritual para ingressar de alma limpa no Além, ou no Todo. Porém, no Novo Mundo nós sequer temos ainda um homem (social) formado, então não há o que realmente “purificar” e sim o que proteger.

Assim, neste Novo Mundo a grande luta se dá contra o colonialismo opressor, e não contra estruturas sociais legítimas que ainda precisam ser construídas, para obtermos a integridade sócio-cultural necessária. Soberania, nação e dignidade, ainda são causas a ser batalhadas no Novo Mundo, sob pena de ter a sua existência virtualmente abortada.



A dialética da liberdade

O anarquismo visa solapar estruturas sociais, porém o que quer que isto possa significar na prática, deve-se minimamente precaver contra a possibilidade de que todas as pessoas virem escravas dos mais alienados interesses externos por falta de unidade e de organização própria. Do contrário, o único destino da Anarquia será simplesmente sonhar com a extinção da humanidade ou do planeta...

O Estado também deve possuir a função de proteger a sociedade, porém esta também deve estar suficientemente mobilizada para controlar o Estado, o que inclui contar com bases autônomas produtivas eficientes onde a Anarquia poderá ser predominante. Sem uma forte mobilização e organização social o Estado cresce, oprime e aliena, deixando de ser representativo dos interesses sociais. Quanto mais autonomia o povo alcance, menos ele necessitará do Estado, que deve ser progressivamente reduzido a funções mínimas reguladoras, provedoras e administrativas da cultura-de-massas remanescente, tornando assim possível esta Minarquia.

O controle do Estado será alcançado quando o Estado contar e mantiver princípios auto-reguladores eficazes, e até mesmo mecanismos “autofágicos” capazes de promover a plena liberdade humana através da autonomia econômica e cultural. 



Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957
Editorial Agartha: www.agartha.com.br


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