domingo, 1 de março de 2015

As Guerras-Táticas (ou Revoluções) do Neo-Colonialismo



O colonialismo acontece em parte movido por “boas intenções”. São os religiosos piedosos que imaginam dever catequizar os bárbaros e primitivos, são os civilizados convictos que acreditam dever levar a “a luz do progresso” aos “povos atrasados”, são os humanistas determinados que sonham com a igualdade e a justiça social “para todos”.  
No entanto, o preconceito é que move realmente todas estas iniciativas duvidosas. Desde o começo, as inversões colonialistas são apresentadas na forma de ideologias alienantes simpáticas ao invasor. As jovens nações necessitam assimilar as ideologias "ilustradas" das metrópoles. E os interesses materiais sempre rondam de perto a tudo isto, como cooptação e aparelhamento, logo acarretando ademais em escravidão e servidão. A certa altura, estes poderosos interesses passam a ser dominantes e as classes materialistas tomam o poder, e então o mundo vira de vez de ponta-cabeça...
Uma vez que as novas nações se acham mais organizadas, o colonialismo deve se adaptar sob pena de encontrar uma resistência muito forte, e aí é que entra a verdadeira função das ideologias e o neo-colonialismo. Então as guerras declaradas e as ocupações nacionais, também viram guerras táticas e revoluções sociais

As Guerra Táticas

“Guerra Tática” é a cooptação e instrumentalização revolucionária das classes sociais das nações (sobretudo emergentes) por parte de nações materialistas poderosas, visando exercer a influência ideológica e a dominação econômica permanente sobre aquelas, seja na esfera do neo-colonialismo burguês e capitalista como também na esfera socialista.
Difere assim da guerra declarada e da ocupação formal da “guerra moral” antiga (aristocrática) ou do maquiavelismo pragmático, embora a sombra paire (comumente a título de ameaça e constrangimento) e a ocupação possa se concretizar “se necessário” em caso de resistência (ou assim se quer fazer pensar) visando consolidar os intentos neo-imperialistas.
Busca-se evitar assim a ocupação física visível e aparente que, além de onerosa, tende a levantar toda a nação em contra, uma vez que a intenção seria menos corrigir algo transitoriamente, que implantar um estado-de-subserviência permanente.
Confia-se que a população seja iludida pela aparência de autonomia republicana e até de democracia, havida também nos países ditos “livres e desenvolvidos”, embora sempre de maneira bastante “domesticada”. Destarte, ao invés de ter a nação ocupante por (nova) inimiga e opressora, se tem a ilusão dela ser uma libertadora.

O ciclo burguês-capitalista

A Guerra Tática social teve início na Revolução Francesa com os ciclos revolucionários da burguesia, para ser logo aprofundado pelas nações capitalistas e socialistas, que tem as suas referências comuns na Primeira “Redentora”.
Axiologicamente falando, a Guerra Tática de ocupação ou de infiltração, surge como uma estratégia “fria” e dissimulada, onde aquilo que realmente importa é fazer as nações colonizadas ou até independentes entrar num processo de neo-colonialismo, seja trocando de colonizador (pela burguesia), seja recolonizando as nações (pelo capitalismo). As revoluções burguesas têm origem anglo-francesa, e as revoluções capitalistas têm origem anglo-americana.
No modelo burguês da Revolução Francesa, a ideia de “revolução” social passa a ocupar o lugar das guerras nacionais e até do colonialismo primário (geralmente sob a escravidão) movidos até então pelas aristocracias, e onde as nações neo-imperialistas buscam cooptar e instrumentalizar as classes sociais afáveis das nações tradicionais ou emergentes (“evoluindo” nestas o povo para a servidão).

O ciclo capitalista-socialista

As guerras mundiais do século XX, foram uma reação das nações “Aliadas” materialistas (capitalistas e socialistas) euro-asiáticas, ao expansionismo das nações idealistas do “Eixo” (neo-aristocráticas/fascistas, hipernacionalistas/nazistas e neo-budistas/imperialistas), que buscaram praticar a sua expansão fora da esfera colonial (depois “terceiro-mundista”) e dentro da própria Eurásia (invasão japonesa na China, invasão alemã na Polônia, etc.), recebendo das nações materialistas (“Aliadas”) uma reação na forma da guerra tradicional declarada “de cavaleiros” (pese as tantas atrocidades inéditas), coisa que apenas pode ser decidida a favor dos “Aliados” pela entrada dos Estados Unidos na guerra após a “provocação” (imprudente?) do Japão em Pearl Harbour.
As nações idealistas do “Eixo” protagonizaram apenas o ciclo colonial (no geral fora das Américas), e por idiossincrasias próprias (paganismo nórdico tácito, catolicismo arraigado ítalo-ibérico, budismo nipônico) não integraram voluntariamente o neo-imperialismo burguês-capitalista, preservando antes a força das velhas aristocracias que vieram depois fomentar o Nacionalismo mítico (em contraparte ao Nacionalismo social das nações realmente novas).
Depois que as nações do “Eixo” foram vencidas, os grandes vitoriosos retomaram e radicalizaram a Guerra Tática “revolucionária”. O gênio e a frieza alemã e a determinação japonesa, levaram a uma maximização das artes da guerra, conduzindo o planeta ao impasse bélico sob a bomba atômica e dando um novo sentido para a Guerra Tática na forma da “Guerra Fria” onde a estratégia passou a dominar, pese haver sido uma guerra quente e real para muita gente, porém típica infiltração interna, ideológica e tática, uma vez que se trata também de estratégia materialista.
Com isto, admitimos que a chamada “Revolução de 64” foi realmente também uma revolução, além de ser um golpe-de-estado. Neste sentido, não estamos exaltando a natureza deste golpe, e sim a depreciando a natureza das “revoluções” capitalistas (e demais), no contexto do neo-colonialismo globalizado.


O ciclo socialista-nacionalista

O capitalismo terá dado alguma nova contribuição à humanidade, para além do feito pela burguesia tradicional, mesmo imperialista? O trabalhador das nações neo-colonizadas ascendeu porventura desde a sua condição servil? Há poucas indicações neste sentido.
O capitalismo, como simples atrofia burguesa maxindustrial, encontra no socialismo um contraponto que visa dar esta resposta e solução. Mas, supõe-se acaso que sob o socialismo, o trabalhador possa atuar ao nível de colaborador semi-voluntário das iniciativas capitalistas?
Na verdade, é sob o Nacionalismo que esta pretensão se torna mais clara, uma vez que não se almeja a luta-de-classes e nem a “tomada dos meios de produção” pelo proletariado, e sim que este participe de um dinamismo social civilizatório.
Estas também eram metas das nações do Eixo, embora as atrofias ideológicas da velha Europa levassem à disseminação da xenofobia que conduziu à “Solução Final”. Existe um limite claro onde o nacionalismo deixa de ser proteção social para virar opressão étnica.
Nas Américas nunca tivemos tão claro o peso do colonialismo socialista, salvo em pequenas nações como Cuba e Nicarágua. Embora tal coisa comece a ser sentida em maior escala, sobretudo no Brasil, na forma do marxismo cultural de Gramsci (espécie de cinismo político ou neo-maquiavelismo) resultante do esfacelamento ideológico nativo.
Neste sentido, a Guerra Fria abriu caminho para a ideologia materialista contrapartite, ou seja: para o marxismo (atenuada pela derrota nesta guerra tática mundial) no Terceiro Mundo, e para o capitalismo no Segundo Mundo; difundindo assim a dialética materialista histórica algo artificialmente mundo afora.


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